no dia em que Gal Costa morreu
senti que dava um tropeço
nas palavras, caminho que ainda passa
nunca fui até onde lembrava ter andado
subiu um cheiro de fumaça fresca
uma voz de séculos de maravilha
fruta madura nas esquinas da cidade
(sua boca vermelha, os olhos acesos
os desenhos que as sombras fazem no asfalto
eu imaginando que são assim as galáxias
onde pousaram os pés de Gal, os dedos
a pele e o peito que sabiam todos os caminhos
(levou a gente
a graça de ser brega num poema
é que dá pra rir e sentir de novo
cada palavra um arranhãozinho ardendo no banho
cada sentimento divino, profano


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